segunda-feira, 13 de abril de 2015

Esquerda ou direita... negro ou branco... pobre ou rico?



De acordo com o IBGE, a população brasileira tem 50,7% de negros e pardos.  Ainda segundo o instituto, de 2003 a 2013, a renda da população negra e parda cresceu 51,4%. Não obstante, ela é hoje 57,4% da renda média da população branca. Metade, praticamente. Ou seja, negros e pardos ocupam maciçamente a ala pobre do país.

Há dados interessantes também quando o assunto é acesso à educação e à cultura. E para quem quiser se aprofundar um pouco mais, números sobre mortes por assassinatos, por faixa etária, renda e cor da pele.

Em política, especialmente a brasileira, não me apraz nominar “direita” e “esquerda”.  Ainda penso que nos falta ideologia.  Um sinal disso é que somos representados por mais de 30 partidos, criados na quase totalidade para atender pequenos guetos, apoderamento de verbas públicas a eles destinadas, e interesse em cargos políticos em todos os níveis de governo.

Também tão pouco me agrada essa ideia da divisão entre pobres e ricos quando o assunto é política. Embora óbvio seja que os interesses prementes de uns, pouco ou quase nada têm a ver com os de outros.

Quanto à cor da pele, o preconceito por tantos e tantas vezes declarado e estimulado é, de longe, o mais rasteiro sentimento humano. Aliás, não apenas o preconceito sobre raças e etnias. Seja lá de que tipo for, acho abominável.

Não escolhemos a primeira morada. A nossa gestação se dá sem que sobre ela possamos exercer algum controle. E a partir dela, geneticamente falando, somos o que somos. Pretos ou brancos, amarelos ou misturados, héteros ou homossexuais, fisicamente perfeitos ou não.

Socialmente falando, as transformações são possíveis. Não importa se coletivamente ou individualmente. O que Importa são as oportunidades proporcionadas ao indivíduo ou população. Portanto, dependentes do berço, do esforço individual e das políticas governamentais. Nesse processo só não cabe defender a famosa meritocracia como tal propalada comicamente, herança (quase genética), quando, certamente, sabemos tratar-se da realidade financeira de cada berço. 

Seja no Brasil ou na Finlândia, governar é governar. Não há distinção. É necessário haver políticas públicas que atendam as necessidades do país e de sua população.

Direita ou esquerda, negro ou branco, pobre ou rico. Esses carimbos, por vezes, acabam patrocinando uma discussão que beira ao surrealismo. Como se possível fosse reduzir tanto assim a grandiosidade da vida humana, e a partir daí determinar o que merece um branco, um negro, um amarelo, um pobre ou um rico.

Ao longo da minha vida muitas vezes tenho sido identificado como alguém de esquerda. Pode ser. Porém, por consciência, jamais defenderia a esquerda pela esquerda, simplesmente. Como também não me abstenho de criticar as falhas cometidas por governantes de esquerda. De tal forma, considero razoável que semelhante postura valha para as pessoas de direita.

Defendo sim, e sempre, o ser humano, povo, gente. Por consequência, defendo a participação popular. Mais, diria. A participação é um dever de cidadania. E entenda-se como participação não apenas o ato de comparecer a um manifesto qualquer. É no sentido amplo. Nas discussões de agendas públicas e políticas, de ações governamentais, de direitos e deveres constitucionais, e por aí vai. Abordando questões municipais, estaduais ou federais. Vestidos de verde e amarelo, de vermelho, de preto. Caras pintadas ou não. Convocados por uma central sindical, por uma emissora de televisão com concessão pública ou por grupos atuantes nas redes sociais. E sempre com espírito público, com civilidade e respeito e, se possível for, com bandeiras que promovam o bem coletivo.

Parece simples, não?

Parece, mas não é. Ou é, mas não parece.

Hoje, passadas as duas manifestações recentes (15 de março e 12 de abril), durante algumas horas eu me pus a pesquisar um vasto material fotográfico disponibilizado na mídia.

A intenção de quem delas participou é a mesma. Embora a segunda tenha levado um público menor às ruas, teve o mérito de se espalhar por mais cidades e regiões.

O objetivo da pesquisa foi apenas a curiosidade de identificar a cor da pele dos manifestantes presentes. Para a minha (não) surpresa, até em cidades como Salvador, onde a população negra ou parda supera as estatísticas do IBGE, a esmagadora maioria é branca. Há de se prestar muita atenção para encontrar alguém diferente disso.

Tão pouco me surpreenderia se alguma pesquisa apontasse também que a mesma maioria esmagadora está fora daquilo que poderíamos classificar como população pobre.

Eu deveria dizer que não aprovo a pecha de "elite branquinha". Que discordo frontalmente. Se alguém afirmar que tais manifestações são patrocinadas por ela, cometerá um grave erro na medida em que isenta ou exclui vários outros grupos de interesse. Saudosos dos militares, militares saudosos da ditadura, maçons, TFP, nazistas e fascistas (não pela opção e sim pelo comportamento muitas vezes violento) políticos oportunistas, orgulhosos empresários, e até pequenos grupos de pessoas correndo atrás dos seus cinco minutos de fama (com ou sem nudismo).

Bem, diria você:

- Mas porque aqui nestas nossas bandas tropicais tupiniquins, raramente vemos negros (ou pobres, em alguns casos), participantes dos citados grupos de interesse?

Bem...

E o que isso tudo significa?

PS.: Manifesto aqui a minha discordância em relação ao Partido dos Trabalhadores e seus representantes quando usam o termo "elite branquinha" para minimizar a importância das manifestações. Um eleitor pode até fazê-lo, mas o partido e seus políticos eleitos não.

Eduardo Galeano


A cada ano, os pesticidas químicos matam pelo menos três milhões de camponeses.
A cada dia, os acidentes de trabalho matam pelo menos dez mil trabalhadores.
A cada minuto, a miséria mata pelo menos dez crianças.
Esses crimes não aparecem nos noticiários. São, como as guerras, atos normais de canibalismo.
Os criminosos andam soltos. As prisões não foram feitas para os que estripam multidões. A construção de prisões é o plano de habitação que os pobres merecem.

Há mais de dois séculos, se perguntava Thomas Paine:

– Por que será que é tão raro que enforquem alguém que não seja pobre?
Texas, século XXI: a última ceia delata a clientela do patíbulo. Ninguém pede lagosta ou filet mignon, embora esses pratos apareçam no menu de despedida. Os condenados preferem dizer adeus ao mundo comendo hambúrguer e batata frita, como de costume.

Extraído do livro Espelhos: uma história quase universal, publicado pela L&PM Editores.

terça-feira, 31 de março de 2015

Defender a PETROBRAS é defender o Brasil

No dia 5 de fevereiro, 15 anos depois da tentativa do Governo FHC de alterar o nome da Petrobras para Petrobrax, com o objetivo de unificar a marca e facilitar seu processo de internacionalização, uma nova investida contra a integralidade da companhia surge no Senado.
O Senador José Serra, valendo-se da crise e turbulência resultante da operação Lava-Jato, recoloca a velha política privatista e antinacional.
Segundo o Senador:
“A Petrobras tem que ser refundada. Mudar radicalmente os métodos de gestão, profissionalizar diretoria, conselho administrativo e rever as tarefas que exerce. Sua função essencial é explorar e produzir petróleo. No Brasil, a Petrobras diversificou demais e foi muito além do necessário, acabou se lançando em negócios megalomaníacos e ruinosos. Hoje, ela atua na distribuição de combustíveis no varejo, nas áreas de petroquímica, fertilizantes, refinarias, meteu-se em ser sócia de empresa para fabricar plataformas e investiu até em etanol, justamente quando a política de contenção de preços da gasolina arruinava o setor. O que dá prejuízo precisa ser enxugado. Vendido, concedido ou extinto”.
Os argumentos apresentados demonstram o completo desconhecimento da realidade da indústria petrolífera mundial e de suas tendências. Por diversos motivos, merece resposta a proposta de vender os ativos de refino e distribuição para fazer caixa e financiar a produção de óleo como solução às presentes dificuldades da Petrobras.
Desconsidera-se por completo a natureza e especificidade desta indústria, e não se trata de uma indústria qualquer. Não por acaso, em quase todos os países, a maior empresa é sempre uma petroleira.
No Brasil, esta indústria representa 15% dos investimentos e 10% do PIB. Por fim, petróleo é energia e base da química moderna: sem eles, não há soberania para um país do tamanho do Brasil.
O Senador desconhece conceitos técnicos básicos desta indústria, como o “custo de transação”, ou que o valor, para ser gerado, necessita ser extraído e realizado, daí por que a integração é imprescindível para uma grande petroleira.
Durante a década de 90, o objetivo foi “enxugar” a Petrobras, para, em seguida, vendê-la ao melhor preço. Foi o pior momento da estatal em sua história, iniciado na curta Presidência de ColIor e concluído pelo Presidente FHC ao longo de seus dois mandatos.
Além dos baixos indicadores de extração, produção e refino, registraram-se também três resultados profundamente negativos:
I) o início das dificuldades da indústria química brasileira, ainda hoje a sexta maior do mundo graças à base construída anteriormente, porque nada mais foi feito;
II) a deterioração da qualidade dos combustíveis automotivos, que, em 1999, chegou a um quinto de não conformidade em cada litro de gasolina vendido na cidade de São Paulo; e
III) a deterioração dos padrões de segurança operacional na Petrobras entre 1999 e 2002. Resultou em dois naufrágios, com numerosos óbitos, e dois acidentes ambientais que se tornaram os piores da história da companhia.
Entre as dez maiores empresas petroleiras de capital aberto, somente uma optou por se separar do refino e venda de derivados para se concentrar em E&P (exploração e produção) nos últimos 10 anos. Todas as demais são integradas, assim como as maiores empresas do setor controladas pelo Estado.
As majors, supermajors e grandes estatais produzem do poço de petróleo à bomba de gasolina. Apenas as independentes norte-americanas e as médias empresas petroleiras, espalhadas pelas diversas bacias sedimentares produtoras no mundo, não dispõem de meios para refinar o que produzem; justamente porque não têm caixa para fazê-lo. Será que todas elas estão erradas e só a ConocoPhillips acertou?
A despeito da notória incapacidade dos economistas para prever o preço do petróleo, o capital petrolífero não costuma errar suas estratégias e seus cenários. Esso, Shell, Total e BP são empresas centenárias; sobreviveram a várias crises.
Pemex, Aramco, PetroChina, Statoil, Ecopetrol e Petrobras, pelo lado das estatais, em pouco mais de meio século, apoiadas em uma crescente capacidade de refino e distribuição, içaram-se como as maiores competidoras, num oligopólio antes dominado pelas Sete Irmãs.
Embora incapazes de saber qual será o preço futuro, todas elas entenderam que o preço do petróleo é cíclico; na verdade, profundamente cíclico.
Para sobreviver aos ciclos e, a despeito deles, continuar a crescer, o capital se aproveita de outra especificidade da indústria: não se abastece carro com petróleo. Depois de achado e extraído, é preciso transportá-lo, refiná-lo, armazenar seus derivados e distribuí-los, para somente depois ter seu uso final.
A cada etapa, gera-se valor, e é a coordenação de uma série complexa de atividades diferentes que permite a transformação do mineral num fluxo quase contínuo. É a integração das partes que permite à petroleira se apropriar do valor gerado ao longo de toda a cadeia de produção. E o somatório final não é pequeno.
Ajudadas pelo aumento de preço, como na última década, jamais as petroleiras lucraram tanto, e não foi diferente para as estatais.
A integração do poço à bomba, além disso, permite proteger-se durante as baixas. As petroleiras apreenderam muito cedo que, quando o petróleo está com preço vil, elas ganham na venda de seus derivados (que são muitos) e na sua transformação química. Não é a toa que todas as grandes empresas do setor têm refinarias, meios de transporte e distribuição próprios.
Além disso, Esso, Chevron, Shell, BP e Total dispõem de importantes plantas petroquímicas. O mesmo acontece entre as grandes estatais e, em particular, na China e no Próximo Oriente.
É fácil entender a lógica da petroleira: a perda a montante será compensada pelo ganho a jusante. Em particular, com matéria-prima barata, o refino e a petroquímica geram enormes lucros.
Basta ver o que aconteceu nos últimos anos nos EEUU: um quarto de seu crescimento se deveu ao barateamento do gás natural e excesso de condensado decorrente.
O movimento de queda nos preços do petróleo já era sentido pelas grandes petroleiras. A reestruturação em curso será profunda, e, como nas baixas anteriores, o resultado será uma maior concentração, com o desaparecimento dos competidores mais fracos e menores.
Aquele capital petrolífero, que depende apenas da produção de um ou dois campos, que está na fronteira da tecnologia, que produz não convencionalmente, ou que não tem como valorizar seu petróleo, seja sendo refinando-o, seja transformando-o em produtos de base para a petroquímica, será o primeiro a ser afetado. E estejam certos de que os oportunistas e as empresas gigantes saberão aproveitar a ocasião de liquidação dos ativos para fortalecer suas posições.
Uma onda de fusões e aquisições se avizinha, e, pelo visto, querem que a Petrobras esteja do lado das vendedoras e perdedoras. Os vencedores serão sempre os mesmos: aqueles que, há mais de um século, são capazes de desenhar uma estratégia contracorrente e avançar em tempos de crise.
Desfazer-se do refino e distribuição, a esta altura, seria um erro estratégico primário, como foi visto. Seria também entregar um ativo construído depois de mais de meio século a um preço necessariamente baixo.
Pior, seria permitir que, por vias tortas, o capital externo — o único que teria condição de adquirir as instalações — assumisse ativos que fazem a Petrobras ser a maior distribuidora de combustíveis automotivos do País, fornecedora da quarta (ou quinta) maior frota de veículos no mundo e sexta maior petroquímica. E o País ainda importa dois terços dos fertilizantes que utiliza em sua agricultura.
A Petrobras, mesmo sob fogo cerrado, acumulou em 2014 êxitos operacionais: a produção de petróleo e gás alcançou a marca histórica de 2,670 milhões de barris equivalentes/dia; o pré-sal produziu em média 666 mil barris de petróleo/dia; a capacidade de processamento de óleo aumentou em 500 mil barris/dia; a produção de etanol etanol cresceu 17%, para 1,3 bilhão de litros. Em setembro de 2014, a Petrobras tornou-se a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto, superando a ExxonMobil (Esso).
Restringir-se à exportação de óleo bruto e não valorizar a crescente produção é um retrocesso histórico, um absurdo em termos de política industrial e um crime ao patrimônio nacional.
Do pau-brasil ao café, passando pelo ouro, pelo açúcar e pela borracha, o Brasil sempre esteve condenado à periferia, exportando produtos com baixo valor agregado.
Na condição de um “quase” Estado extrativo-exportador por cinco séculos, esteve submetido aos sucessivos ciclos econômicos em razão da inação de suas elites.
O petróleo é a oportunidade de se mudar positivamente a história econômica do Brasil, mas, pelo visto, parte da elite (por desconhecimento, ou má-fé) atua intensamente para desmantelar a Petrobras e não permitir que o desenvolvimento nacional.
Em defesa da Petrobras e da sua integralidade!
www.viomundo.com.br

terça-feira, 3 de março de 2015

Ídolos: carecemos mesmo?


Pobre da sociedade que precisa de ídolos para evoluir.

Precisamos sim de consciência política. Precisamos sim, e muito, de nos tornarmos cidadãos, na plenitude do significado. Urge que cumpramos nossos deveres e, na mesma proporção, cobremos nossos direitos de cidadãos.

Vivenciamos dois casos emblemáticos recentemente. Joaquim Barbosa, e logo depois Sérgio Moro foram elevados à condição de ídolos salvadores da Pátria. A bola da vez, como sugeriram ontem alguns manifestantes, será Rodrigo Janot? Ou daqui a poucos dias, Teori Zavascki?

A grande mídia nos dirá.

A falta de consciência política da sociedade promove aberrações desse tipo.

Ao transformá-los em ídolos conferimos a eles - incentivados em faina diuturna por uma imprensa pautada por interesses próprios e de seus representados - um poder excedente, uma falsa sensação de que são absolutos e inquestionáveis.

Sem medo de exagerar, recriamos os inquisidores.

O que se espera desses senhores, servidores públicos, e deles devemos cobrar, é que exerçam - e apenas isso - a função para a qual foram designados. E sempre com o mais elevado espírito republicano e respeito incondicional à Constituição.

Nada mais.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A Rede Globo e a greve de caminhoneiros que paralisou o Chile

Em 1972 uma grande greve de caminhoneiros paralisou o Chile, provocou desabastecimento e fez parte do plano americano de derrubar o governo, o que foi comprovado posteriormente por documentos da própria CIA revelados pelo WikiLeaks.
         

“E o Congestionamento não é só nas estradas”, foi a frase de Alexandre Garcia hoje pela manhã (25/02)no tal Bom Dia Brasil. Na continuidade, pra não variar do script da mídia e da Globo, tome pau nos políticos e no governo e uma ampla cobertura da Greve, como nunca se vê em nenhuma outra greve. Greves e paralisações são direito de todos os trabalhadores. No geral, patrões tentam impedir a greve a qualquer custo, pois as empresas perdem dinheiro. No caso desta greve em andamento não vi nenhum empresário do transporte falando contra a greve. Por outro lado, a mesma mídia que cobre tão ciosamente esta greve, continua também criando a cada dia noticias negativas que chegam a provocar náuseas. Apesar do Governo Federal chamar caminhoneiros e donos de empresa de transporte para conversar, a greve com fechamento de estradas e consequente desabastecimento em cidades e regiões, continuava hoje pela manhã.

Não foi diferente em 1972 no Chile.

Em outubro de 1972, durante o governo socialista de Salvador Allende, os EUA financiaram uma greve de caminhoneiros que paralisou o país. Amplamente apoiada pela mídia conservadora, a greve causou prejuízos estimados em um milhão de dólares e abriu caminho para o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende no ano seguinte. Essa é uma das velhas táticas fomentadas pela CIA para desestabilizar governos populares em todo o mundo.

O menor índice de desemprego da história, salário mínimo que subiu 75% acima da inflação nos 12 anos do governo do PT, salário médio subindo acima da inflação, milhões de pessoas que saíram da pobreza, isto é a foto do Brasil em dezembro de 2014. Mas a mídia continua anunciando supostas tragédias econômicas. Agora mesmo, quando escrevo este artigo, a TV noticia o “rebaixamento” da Petrobras feito por uma tal Agência Moody‘s. No mínimo estranho, quando as ações da Petrobras e o preço do Petróleo sobem no mundo inteiro.

O Golpe continua em marcha e vem eivado de mentiras que são repetidas milhares e milhares de vezes, fazendo com que virem verdade no senso comum. A Globo, a mídia tupiniquim estão pavimentando o caminho para o golpe definitivo na democracia. Se não houver respostas rápidas e a altura, o golpe virá e é só uma questão de tempo.

A resposta a altura esta na comunicação do Governo e na mobilização dos movimentos sociais verdadeiros para defender as conquistas que tivemos nestes últimos anos. Isto é defender a democracia. E foi democraticamente que o governo Dilma foi eleito.

Por isto é muito positivo que os movimentos sociais tenham compreendido o que realmente esta em jogo.

Luiz Muller - Página 64

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Poder judiciário


Houve um tempo em que conhecer juízes de direito só era possível em duas situações: pela proximidade (vizinho, parente ou amigo) de um, e; ser julgado por um. Mas, deram-lhes holofotes: luz, câmera, ação!

Não tenho absolutamente nada contra o estrelato, mas, convenhamos, o povo brasileiro agradeceria muito se os nossos ilustres togados se ativessem mais ao ofício e menos ao umbigo e às lentes.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Santyana: A Petrobras não é uma empresa, é uma Nação.

lulaget

Para ler de pé, em voz alta, para mandar para os amigos, os parentes, a todos aqueles que conseguem ir mais fundo que os cinco centímetros da histeria pseudo-moralista, que não consegue entender o que, dramaticamente, está em jogo:


Quanto vale a Petrobras?

Mauro Santayana
O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.
A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.
E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
O que importa mais na Petrobras?
O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?
Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.
Para os patriotas – e ainda os há, graças a Deus – o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?
Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?
Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?
Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?
Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?
Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?
Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, a Siemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?
Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?
Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a Exonn norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?
É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.
A Petrobras teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.
É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.
As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.
Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.
Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.
Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas vezes menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.
E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.
Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.
Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.
Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.
A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.
E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.
A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.
Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.
É necessário punir os ladrões que a assaltaram?
Ninguém duvida disso.
Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.
A Petrobras não é apenas uma empresa.
Ela é uma Nação.
Um conceito.
Uma bandeira.
E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.
Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.
E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.